Jaguatirica com canino exposto revela as marcas da sobrevivência no Pantanal

  • 22/06/2026
(Foto: Reprodução)
Sobrevivente do Pantanal: jaguatirica exibe "marcas de guerra" em registro noturno Fagner Roque de Almeida Um olhar afiado, o corpo tenso e uma história de sobrevivência cravada na própria pele. Um registro noturno feito no Pantanal sul-mato-grossense revelou a face crua e implacável da natureza através das feições de uma jaguatirica (Leopardus pardalis). 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram O felino foi fotografado exibindo cicatrizes marcantes, incluindo um ferimento cicatrizado na boca que deixa seu canino direito permanentemente à mostra, além de cortes visíveis nas orelhas. O encontro aconteceu durante uma observação noturna na Fazenda Caiman, localizada no município de Miranda (MS), um dos refúgios de vida silvestre do bioma. Para o guia de campo e fotógrafo de natureza Fagner Roque de Almeida (@fagner_almeida01), autor do registro, as marcas contam a história de um predador que não tem a opção de desistir. "Essa jaguatirica carrega no rosto sinais claros de uma vida selvagem de verdade. A ferida na boca provavelmente é resultado de um confronto, seja por território, disputa por alimento ou até competição por parceira. Na natureza, nada vem fácil", relata o profissional. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: FOTOS: Águia-cinzenta carrega cascavel nas garras para alimentar filhote em MG IMPACTO: O que o pequeno lambari tem a ver com o clima? Estudo traz resposta inesperada INVESTIGAÇÃO: Mercúrio é encontrado em penas de urubu-de-cabeça-vermelha na Amazônia A lei da sobrevivência Diferente de um animal em cativeiro, um predador ferido na natureza precisa lidar com a dor enquanto continua sua rotina implacável em busca de alimento e proteção. A recuperação acontece em movimento. "Mesmo ferida, ela segue firme", observa Fagner. "Predadores como esse não têm o luxo de parar — precisam continuar caçando, se movimentando e defendendo seu espaço. Cada cicatriz conta uma batalha vencida, ou pelo menos sobrevivida". Marcas de disputa e resiliência Jaguatirica chama atenção por cicatrizes em área do Pantanal Fagner Roque de Almeida O biólogo Mascos Oliveira disse que as marcas da jaguatirica provavelmente podem ter sido causadas em um disputa entre individuos a mesma espécie. "Cicatrizes dessa magnitude na face, especialmente com a perda de tecido labial que deixa o canino exposto, são marcas clássicas de disputas entre adultos, onde a força da mordida do oponente define as fronteiras da sobrevivência." As jaguatiricas são felinos de médio porte, conhecidos por serem predadores solitários, silenciosos e de hábitos predominantemente noturnos. Extremamente adaptáveis, possuem uma dieta variada e são peças fundamentais na regulação das populações de pequenos mamíferos, aves e répteis, garantindo o equilíbrio do ecossistema onde vivem. O registro feito na Fazenda Caiman vai além de uma simples fotografia de fauna. É um atestado visual da força desses animais. Como bem resume o guia de campo, a imagem exibe com perfeição a "resiliência e a realidade crua da vida selvagem" no coração do Pantanal. "Embora a exposição permanente do canino chame a atenção, o fato de o ferimento estar completamente cicatrizado e o animal apresentar boa condição corporal demonstra a impressionante resiliência imunológica e a capacidade de adaptação desses felinos no ambiente selvagem", reforça Oliveira. Veja o que está em alta no g1: Agora no g1 Rainha da camuflagem: quem é a jaguatirica A jaguatirica é o terceiro maior felino das americas — superada apenas pela onça-pintada e pela onça-parda, e se destaca como um dos predadores mais versáteis. Com uma distribuição geográfica impressionante, que se estende desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, o felino está presente em quase todo o território brasileiro. Sua incrível plasticidade ecológica permite que ele habite desde as densas florestas tropicais da Amazônia e da Mata Atlântica até as formações mais abertas do Cerrado, da Caatinga e, como visto neste registro, as áreas do Pantanal. Registro de uma jaguatirica, em Poconé, no Mato Grosso marcoseugenio / iNaturalist De hábitos predominantemente noturnos e crepusculares, a espécie possui adaptações anatômicas primorosas para a vida silvestre. Seus olhos grandes têm uma membrana reflexiva que otimiza a visão na penumbra, enquanto suas patas largas garantem excelente estabilidade tanto no solo quanto no topo das árvores, onde costuma descansar ou emboscar presas. Além de ser uma escaladora ágil, a jaguatirica é uma nadadora exímia, característica fundamental para prosperar em ambientes dinâmicos e sazonais como o Pantanal sul-mato-grossense. Como carnívoro estrito e predador de médio porte, o animal desempenha um papel ecológico crucial no controle populacional de pequenos e médios vertebrados. Sua dieta é oportunista e generalista, baseada principalmente em roedores, marsupiais, aves e répteis. Cientificamente, a manutenção de populações saudáveis de jaguatiricas é considerada um indicador de equilíbrio ambiental, já que a espécie exige territórios preservados e presas abundantes para sobreviver a longo prazo. Ficha técnica da jaguatirica Nome científico: Leopardus pardalis Porte e peso: Médio porte; adultos pesam geralmente entre 8 kg e 16 kg, com comprimento corporal variando de 70 cm a 100 cm (sem contar a cauda). Pelagem e camuflagem: Padrão complexo de rosetas e manchas escuras alongadas sobre um fundo amarelado ou pardo, que funciona como uma camuflagem perfeita em ambientes de luz e sombra filtrada. Comportamento: Animal predominantemente solitário, territorialista, excelente escalador e nadador. Alimentação: Carnívora (roedores, lagartos, cobras, aves, pacas, cutias e jovens ungulados). Status de conservação: Classificada mundialmente como "Pouco Preocupante" (LC) pela IUCN, mas listada como "Vulnerável" ou ameaçada em diversos estados brasileiros devido à severa fragmentação de habitat, atropelamentos e caça retaliatória. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/06/22/jaguatirica-com-canino-exposto-revela-as-marcas-da-sobrevivencia-no-pantanal.ghtml


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