Maior serpente peçonhenta das Américas dá à luz 6 filhotes no Butantan

  • 04/06/2026
(Foto: Reprodução)
Frevioca foi um dos cinco filhotes de Lachesis rhombeata nascido no Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan Divulgação / Butantan Após décadas de tentativas frustradas, o Instituto Butantan, em São Paulo, conseguiu reproduzir em cativeiro a maior serpente peçonhenta das Américas. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp O nascimento de seis filhotes de surucucu-pico-de-jaca (Lachesis rhombeata), ocorrido entre o fim de 2026 e o início deste ano, é resultado de uma parceria o Laboratório Interdisciplinar de Anfíbios e Répteis (L.I.A.R.) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e a Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH)., que enviaram os pais da ninhada para o centro de pesquisa paulista. O sucesso reprodutivo garante avanços na conservação da espécie, ameaçada de extinção, e na produção de soro contra o veneno do animal. Veja mais: Observadora registra ave com suspeita de hibridismo em trilha de Cajamar Onça-pintada é flagrada “esguichando” urina em árvore no Pantanal; veja o vídeo Lua cheia deixa tubarões mais perigosos? O que os estudos mostram Sucesso na parceria Entre 2022 e 2023, as instituições nordestinas encaminharam ao Instituto Butantan três casais jovens de serpentes surucucu-pico-de-jaca (Lachesis rhombeata). Nativa da Mata Atlântica, a espécie é classificada como vulnerável e sofre ameaça de extinção devido à destruição de seu habitat. Ao lado da Lachesis muta, que ocorre na Floresta Amazônica, ela é considerada a maior serpente peçonhenta das Américas. Quatro ovos da surucucu Olinda foram incubados artificialmente no laboratório Instituto Butantan A fêmea Olinda e o macho Sapoti acasalaram em junho do ano passado, em São Paulo. O cruzamento ocorreu depois de os pesquisadores deixarem o casal separado por três meses no biotério. Como resultado, entre o fim de 2026 e o início deste ano, seis filhotes nasceram no Instituto. A médica veterinária e pesquisadora científica Kathleen Grego, do Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan, lidera o projeto de reprodução. Ela destaca a importância do nascimento: "O sucesso na reprodução em cativeiro abre portas para estratégias de repovoamento e manejo genético. Por ser uma serpente peçonhenta, o desenvolvimento e manutenção de populações saudáveis em cativeiro são estratégicos também para a pesquisa científica e a produção de soro antilaquético-botrópico, usado para tratar acidentes com o veneno do animal", explica. Veja o que é destaque no g1: Agora no g1 A estratégia de separar os pais no biotério por 90 dias surtiu efeito. Para comprovar que o sucesso do pareamento não foi apenas uma coincidência, a equipe vai manter o mesmo protocolo no período reprodutivo de 2026. Olinda se mantém próxima dos ovos, mesmo quando alguns já se romperam Instituto Butantan Desafios de décadas O Laboratório de Herpetologia do Butantan tenta a reprodução da espécie há décadas. Na época das primeiras investidas, a equipe esbarrava em entraves como o baixo número de indivíduos, plantéis formados apenas por machos ou só por fêmeas, além da idade avançada das serpentes. Desde 2015, os pesquisadores já registravam comportamentos reprodutivos da surucucu-pico-de-jaca, mas sem sucesso. Frevioca é uma homenagem ao caminhão decorado que transportava a orquestra de frevo pelas ruas de Pernambuco no carnaval Instituto Butantan "O maior desafio sempre foi lidar com a quantidade limitada de animais no plantel. Como essas serpentes, Lachesis rhombeata e Lachesis muta, são originárias principalmente do Nordeste e do Norte do Brasil, trazê-las para o Instituto Butantan sempre foi uma tarefa complicada. Normalmente, tínhamos apenas dois ou três exemplares ao mesmo tempo, e em algumas ocasiões, todos eram machos ou todas eram fêmeas. Houve um período em que passamos mais de cinco anos com apenas dois machos no plantel, aguardando a chegada de uma fêmea", argumenta a Dra. Kathleen Grego. Outro obstáculo era oferecer condições ambientais semelhantes às do Nordeste. A solução para adequar a umidade e a temperatura foi a instalação de climatizadores e aquecedores no biotério. Nomes e cuidados especiais Os filhotes receberam nomes que fazem referência ao estado de Pernambuco — origem dos pais — e ao filme brasileiro indicado ao Oscar, "O Agente Secreto". Quatro deles se chamam Sebastiana, Pitomba, Frevioca e Suassuna. Já os nomes Grego e Timão homenageiam a pesquisadora Kathleen Grego, que cuida do gênero Lachesis no Butantan, e o antigo diretor Wilson Fernandes, que iniciou as tentativas de reprodução nos anos 1990. Dos seis filhotes nascidos, apenas Timão não sobreviveu e acabou morrendo. A filhote de surucucu recebeu o nome de Sebastiana em homenagem à personagem de O Agente Secreto Instituto Butantan As serpentes levam cerca de três anos para se tornarem adultas e continuarão no plantel do Laboratório de Herpetologia. "Será feito um diário para cada um dos filhotes com todos os detalhes do seu crescimento. Eles são pesados e medidos todos os meses, o peso e a quantidade de roedores ingeridos quinzenalmente são anotados. Será feita uma pesquisa de ontogenia com o veneno, ou seja, verificaremos se o veneno dos filhotes é igual ao dos adultos. Todas as trocas de pele (ecdise) são anotadas; monitoramos diariamente a temperatura e umidade da sala em que estão sendo mantidos e realizaremos exames de sangue a cada seis meses dos filhotes", conclui a pesquisadora. O êxito da reprodução após décadas só foi possível graças à parceria entre as instituições. É esse trabalho conjunto que garante hoje a preservação da espécie e a segurança da população por meio da produção de soro pelo Instituto Butantan. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/06/04/maior-serpente-peconhenta-das-americas-da-a-luz-6-filhotes-no-butantan.ghtml


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